Capitalismo Selvagem e o Ataque às Democracias: o livro que dá nome ao mal-estar

Resumo (para abrir o apetite): O livro de Francisco Gonçalves nomeia um desconforto que muitos sentem: votos contam, mas decisões parecem vir de fora. Este post resume a tese, o diagnóstico e as soluções — em linguagem direta, para partilhar no seu blogue.
Porquê agora
Entre desigualdade extrema, captura do Estado e descrença nas instituições, cresce a ideia de que a política se rende ao mercado. O livro não é só denúncia: é um convite a reconfigurar regras do jogo para que a democracia volte a significar poder público para o bem comum.
Tese em uma frase
Sem travões éticos e institucionais, o capitalismo vira selvagem: transforma direitos em mercadorias, esvazia a representação e normaliza injustiças. Democracia sem bem comum é cenário; com bem comum, é processo vivo.
Três feridas abertas
- Representação esgotada: aparelhos partidários e lobbies ocupam o espaço; a abstenção cresce; populismos prometem atalhos e entregam impasses.
- Estado refém: privatizações mal desenhadas e rendas regulatórias empobrecem serviços públicos; decisões estratégicas priorizam minorias organizadas.
- Justiça seletiva: crimes poderosos arrastam; pequenos delitos caem com força. Sem justiça visível, evapora-se a confiança.
"Sem justiça real, o Estado de direito vira cenário." — aponta o autor.
Linhas de ação (pragmáticas)
- Participação que conta: assembleias cidadãs, orçamentos participativos e referendos deliberativos com regras claras e transparência total.
- Justiça fiscal e regulatória: tributar rendas e lucros extraordinários, avaliar concessões pelo seu impacto social, travar captura do regulador.
- Reforçar os comuns: saúde, educação, água, habitação — blindados de ciclos curtos e do rentismo.
- Tecnologia como infra pública: dados abertos, algoritmos auditáveis, privacidade a sério; menos "caixa-preta", mais escrutínio.
- Educação cívica contínua: literacia democrática como prática, não decoração curricular.
O estilo (e por que resulta)
Texto claro, didático e firme — sem jargão gratuito. Dá exemplos, define conceitos (captura do Estado, rendas, bens comuns) e fecha cada capítulo com um "e então?" que aponta caminhos. Lê-se rápido, fica a ecoar.
Para quem é
- Cidadãos ocupados que querem entender e agir.
- Estudantes/ativistas à procura de linguagem comum para ligar desigualdade, política e instituições.
- Decisores públicos que precisam de mapa de incentivos para reformar sem slogans.
Fecho: esperança como método
O livro lembra que democracia não é evento quinquenal; é manutenção diária. Se foi desenhada por pessoas, pode ser redesenhada por pessoas. Começa por informação honesta, segue com participação real, cumpre-se com justiça que funcione.
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