Palácio de São Bento com fendas a abrir-se

📷 O país desaba, o governo cola. A Supercola já não chega.

A trapalhada máxima: ministros Supercola, corrupção a céu aberto, justiça em parte incerta

Ensaio sobre o Estado em falha permanente, a governação de fachada e o país a ruir em todas as frentes

Portugal vive a maior trapalhada de sempre. Não é exagero. É diagnóstico. O governo, esse conjunto de ministros colados à tona com Supercola — porque já não há competência que os segure —, desfila em conferências de imprensa como se o país não estivesse a arder. Mas arde. Arde em fogo lento, em incêndios de gestão, em decisões absurdas, em nomeações de última hora, em promessas que caducam antes do discurso terminar. O Estado está em modo falha permanente. E a falha é sistémica, não é acidental.

A corrupção já não se esconde. Anda a céu aberto, descarada, a fazer turismo nos corredores do poder. Contratos públicos com amigos, fundos europeus que se evaporam, empresas fantasmas a receber milhões, e um primeiro-ministro que jura que "tudo está a ser investigado" — enquanto a investigação demora anos, os arguidos prescrevem e os cidadãos pagam a factura. A justiça, essa, está escondida em parte incerta. Ninguém sabe onde pára. Parece estar sempre "em curso", "em segredo de justiça", "a aguardar parecer". Mas para os poderosos, o segredo é uma blindagem. Para os cidadãos comuns, é uma espera interminável.

🎬 Pondé: a farsa do politicamente correcto é a máscara perfeita para a farsa maior — a de um regime que se diz funcional, mas é uma trapalhada permanente.

Ministros à Supercola: a incompetência em câmara lenta

🧴 A cola que já não cola

O governo está cheio de ministros que só se mantêm no cargo porque são "amigos do primeiro-ministro" ou porque "não há melhor". A incompetência é transversal. Há ministros que nunca geriram nada, outros que não percebem a pasta que lhes foi atribuída, outros que passam o tempo a corrigir os erros que eles próprios criaram. A Supercola é a metáfora perfeita: tentam colar pedaços de governo que se desfazem a cada semana. Um ministro cai, outro é remendado. Um escândalo rebenta, outro é abafado. O país olha e pergunta: "Isto são os melhores que temos?" A resposta é assustadora: sim, são.

📉 O país a falhar em toda a linha

A saúde está em rutura, a educação é um poço de mediocridade, a justiça é uma lotaria, a economia define-se por baixos salários e baixa produtividade, a habitação é inacessível, a segurança social é um balcão de atendimento sem senha. Não há uma área onde o Estado funcione bem. Todas estão em falha permanente. E a resposta do governo é sempre a mesma: "Estamos a trabalhar para resolver." Trabalham tanto, mas o país continua pior. Talvez trabalhem para o lado errado.

🗣️ A desculpa do "contexto difícil"

A desculpa de serviço é sempre a mesma: "É um contexto difícil", "A guerra na Ucrânia", "A inflação", "Os fundos europeus são complexos". O país está cheio de desculpas e vazio de resultados. A verdade é que Portugal já teve contextos mais difíceis e governos mais competentes. A diferença é que hoje a incompetência é exibida como se fosse uma virtude — "sou humano, errei" — e o erro repete-se na semana seguinte.

📊 O retrato da trapalhada

• 80,8% — Taxa de arquivamento de processos de corrupção em 2025.
• 30% — Jovens qualificados que emigram anualmente.
• 500+ dias — Lista de espera para cirurgias no SNS.
• 2,7 mil milhões € — Despesa do SNS com idosos, 40% do orçamento.
• 0 — Ministros que assumem responsabilidade e se demitem.

A justiça em parte incerta: o segredo que protege os poderosos

Há um lugar onde a justiça portuguesa se esconde. É um lugar chamado "parte incerta". Não se sabe se está em Lisboa, no Porto, em Coimbra, ou se existe sequer. Quando um caso envolve poderosos, a justiça desaparece. Entra em segredo de justiça — e nunca mais sai. O segredo, que devia ser exceção, tornou-se a regra. Os processos arrastam-se anos, os arguidos envelhecem, as provas prescrevem, e a justiça, essa, continua em parte incerta.

Para o cidadão comum, a justiça é célere — quando quer. Para os políticos, banqueiros, gestores públicos e amigos do poder, a justiça é um labirinto onde se perdem os processos. A diferença é brutal: o pobre é julgado em meses, o rico em décadas. E quando a sentença chega, já não interessa a ninguém. O sistema não está doente. O sistema é a doença.

🗣️ "O governo cola pedaços com Supercola, a justiça esconde-se em parte incerta, e o país pergunta: onde é que isto vai parar? A resposta: no mesmo sítio onde sempre esteve — no fundo do poço, a cavar mais fundo." — Sombra de Dúvida

O que fazer (para sair da trapalhada)

🗳️ 1. Exigir governos competentes
O voto não pode ser um gesto de rotina. Os cidadãos devem exigir currículos, experiência, capacidade de gestão. Ministros que não percebem da pasta não podem continuar. A incompetência tem de ter consequências políticas.
⚖️ 2. Justiça célere e sem segredos
Acabar com o segredo de justiça como regra. A transparência é a melhor arma contra a impunidade. Criar prazos máximos para a fase de inquérito. A prescrição não pode ser um escudo para os poderosos.
💰 3. Acabar com a corrupção a céu aberto
Criminalizar o financiamento empresarial aos partidos. Criar mecanismos de denúncia anónima e proteção de denunciantes. Responsabilizar os gestores públicos por decisões ruinosas.
📢 4. Cidadania indignada
Os cidadãos não podem ficar em silêncio. Partilhar informação, exigir transparência, participar em movimentos cívicos, votar em quem propõe reformas estruturais. A indignação tem de ser organizada.

Conclusão: a trapalhada não é eterna

Portugal está no fundo do poço — e continua a cavar. Governo à Supercola, corrupção a céu aberto, justiça em parte incerta, país a falhar em toda a linha. O diagnóstico é sombrio, mas não é irreversível. O que falta é coragem: coragem para exigir, coragem para votar diferente, coragem para não aceitar a mediocridade. A trapalhada só termina quando os cidadãos disserem basta. Não chega de ministros colados, de justiça escondida, de corrupção impune. O país merece mais — e exige mais. Ou será que não? A resposta está nas mãos de cada um de nós.

Sombra de Dúvida
nem todas as certezas merecem descanso

✍️ Ensaio publicado em Fragmentos do Caos — cidadania, Portugal e o mundo. Texto em português de Portugal (AO 1990). Partilha livre com citação da fonte e do autor.

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