Porque escrevemos

Escrevemos porque o silêncio, por vezes, é cúmplice.

Escrevemos porque há países que adormecem lentamente, embalados por discursos, promessas e pequenas resignações diárias.

Escrevemos para acender uma lanterna no nevoeiro, mesmo sabendo que o nevoeiro não gosta de luz.

Escrevemos porque a memória precisa de voz, a indignação precisa de forma e a esperança precisa de não ser abandonada aos contabilistas do impossível.

Não escrevemos para agradar.
Escrevemos para pensar.

Para ferir a mentira com palavras limpas.

Para lembrar que uma nação sem dúvida, sem crítica e sem imaginação acaba sempre em manutenção sem tempo.

Escrevemos porque ainda há madeira na nau.

E porque, enquanto ela ranger ao vento,
talvez Portugal ainda possa voltar ao mar.

Nós somos Fragmentos do Caos.
Escrevemos entre a ruína e a esperança,
entre o nevoeiro e a lanterna,
entre a ferida antiga de Portugal
e a teimosia luminosa de ainda acreditar no mar.

🌌 Fragmentos do Caos: Blogue Ebooks Carrossel
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