BOX DE FACTOS
  • O gatilho: a operação dos EUA para "extrair"/deter Maduro reacendeu o coro mediático do costume.
  • O refrão: "Direito Internacional!" dito com solenidade… e esquecido com a mesma rapidez.
  • A coreografia: indignação selectiva, alinhada com regimes e grupos que não são exactamente fãs de democracia liberal.
  • O subtexto: mais que ética, há pertença tribal; mais que factos, há bandeiras.
  • A pergunta: indignação por princípio… ou indignação por conveniência?

Rasgar Vestes Selectivamente: a Liturgia Portuguesa do "Direito Internacional"

Em Portugal, a indignação é um instrumento de precisão: acerta sempre no alvo certo… desde que o alvo seja conveniente.

Há uma coisa que Portugal faz com mestria: transformar qualquer acontecimento internacional num episódio doméstico, com direito a painéis, gravatas bem alinhadas, e aquela voz de tribunal moral que se ergue como se fosse a própria consciência universal — mas com a memória curta e a bússola calibrada a favor da tribo.

Desta vez, o palco é a acção dos EUA para deter Maduro. E, de repente, as "esquerdas" e "ultra-esquerdas" televisivas aparecem de toga invisível, rasgando as vestes em directo, em nome do Direito Internacional — essa entidade mística que só existe quando dá jeito.

A oração do dia: "Direito Internacional!"

O curioso é que o "Direito Internacional" em Portugal funciona como aqueles guarda-chuvas baratos: abre sempre que chove sobre o lado americano, e fecha-se imediatamente quando a tempestade vem do lado dos "amigos do bem". Se os EUA fazem, é "imperialismo". Se outros fazem, é "complexidade geopolítica".

Aliás, a liturgia é tão previsível que dá para escrever o guião antes do programa começar: primeiro vem o "rapto", depois o "saque do petróleo", a seguir o "golpe mediático", e no fim a frase final: "o Ocidente perdeu a autoridade moral". Está feito. Pode ir para intervalo.

A coincidência cósmica: a indignação alinha-se sempre com os aliados de Maduro

Há uma coincidência quase poética: a mesma indignação que floresce nos estúdios portugueses também aparece, com sotaques diferentes, nas bocas e comunicados de regimes e aparelhos que pouco ou nada toleram de eleições livres, imprensa livre, ou oposição viva. É como se existisse um Wi-Fi ideológico global: muda-se o país, mantém-se a senha.

E aqui nasce a ironia trágica: rasgam-se vestes em nome da democracia ao lado de quem tem alergia crónica à democracia — uma alergia que dá urticária sempre que alguém fala em alternância de poder.

Duas verdades podem coexistir (mas isso exige pulmões)

A discussão séria começa quando admitimos isto, sem espuma na boca: pode haver questões jurídicas reais sobre soberania e legitimidade do método e pode haver também um alvo real associado a redes de narcotráfico e repressão.

Mas a televisão portuguesa raramente tem paciência para duas verdades ao mesmo tempo. Duas verdades dão trabalho, exigem nuance, obrigam a pensar — e pensar é um hábito caro numa economia de opiniões instantâneas.

O narcotráfico como detalhe: quando a indignação tem filtros

O narcotráfico, as redes, as acusações, a exportação de miséria e a diáspora venezuelana entram na conversa como nota de rodapé. Porque a moral mediática não está configurada para proteger pessoas: está configurada para proteger narrativas.

E uma narrativa, para ser confortável, precisa de um vilão fixo e de um santo previsível. Ora, se o vilão fixo é sempre "o Ocidente", então tudo o que o Ocidente faz, por definição, tem de estar errado — mesmo quando atinge uma realidade que, de outra forma, seria descrita como "crime organizado transnacional".

Portugal, esse país onde a ética é um cachecol

O resultado é este: um país que se proclama humanista, mas vive de indignações de catálogo. Um país que condena com fervor aquilo que não controla, e relativiza com ternura aquilo que lhe dá conforto ideológico.

É o mesmo mecanismo que permite, no mesmo corpo comentador, defender "direitos humanos" com uma mão e fazer festas à retórica de regimes que tratam direitos humanos como papel de embrulho.

Epílogo: rasgar vestes não é justiça — é teatro

No fim, o que sobra é a velha fotografia portuguesa: muita moral em cima da mesa e pouca coerência no prato. Rasgar vestes é fácil: não custa imposto, não exige coragem, e dá boa imagem em estúdio.

Mas a história — essa senhora sem paciência para figurantes — guarda outra contabilidade:a das vítimas reais, das redes reais, dos regimes reais, e das cumplicidades mascaradas de virtude. E Portugal, como é público, é um dos paises por onde passam os cartéis de narcotráfico e onde a droga circula pelo pais, através de contentores marítimos, cono quem passa brinquedos para crianças. Portugal e hoje um centro onde operam grandes ganga de máfias do narcotráfico, lavagem de dinheiro que segue para destinos exoticos, e outros crimes como evasão fiscal em larga escala.

E depois o culpado é o "imperialismo americano". Estas manifestações de gente sem memória nem moral, só me fazem recordar os tempos miseráveis do PREC em Portugal. And thats's all folks!

Talvez um dia, quando o barulho acabar, alguém se lembre de perguntar: rasgaram vestes por princípio… ou rasgaram vestes para não terem de rasgar a própria narrativa?

Autoria de : Francisco Gonçalves
Co-autoria editorial: Augustus Veritas
Porque a ética e a moral não se vendem nas farmácias, "pensar é difícil" e não se ensina nas escolas.
🌌 Fragmentos do Caos: Blogue Ebooks Carrossel
👁️ Esta página foi visitada ... vezes.