BOX DE FACTOS
  • Anúncio oficial: Governo cria "Centro de Excelência em Inteligência Artificial" integrado na ARTE.
  • Objectivo declarado: resolver "fragmentação de projectos" e "complexidade da contratação pública".
  • Contexto real: Administração Pública com sistemas obsoletos, feudos digitais e cultura de papel timbrado.
  • Diagnóstico clínico: inovação cosmética sobre estrutura arcaica.

Portugal cria Centro de Excelência em IA integrado na ARTE
— A Revolução Digital em Formato de Instalação Artística

Quando um país tenta resolver a burocracia com mais burocracia, a fragmentação com mais entidades, e a ineficiência com PowerPoint… não estamos perante política pública. Estamos perante arte performativa.

1) O anúncio que devia vir com catálogo de exposição

O Governo anunciou, com ar grave e voz institucional, a criação de um Centro de Excelência em Inteligência Artificialintegrado na ARTE.

Sim, leste bem. IA. Administração Pública. ARTE.

Não é um erro tipográfico. É Portugal em estado puro.

2) Tradução simultânea: português → realidade

Dizem eles:

"Resolver os principais obstáculos à adopção de IA na Administração Pública, como a fragmentação de projectos e a complexidade da contratação pública."

Tradução:

"Vamos criar mais uma entidade, mais um conselho consultivo, mais um director-geral, mais um logótipo, mais um site em WordPress e mais três camadas de processo para resolver a lentidão dos processos."

É o paradoxo de Kafka com financiamento europeu.

3) A fragmentação de projectos — essa entidade mitológica

Cada ministério em Portugal é um feudo. Cada direcção-geral é um reino. Cada departamento é uma tribo. Cada serviço é uma aldeia gaulesa digital.

Cada um com:

  • o seu Excel sagrado,
  • a sua base de dados em Access 97,
  • o seu fornecedor amigo,
  • e o seu sistema "em migração" desde 2004.

E a solução estratégica é:

criar uma entidade por cima de todas.

Quando tens cancro, a solução não é um chapéu novo. Mas em Portugal… é.

4) A complexidade da contratação pública: o elefante na sala

A contratação pública portuguesa é:

  • um labirinto jurídico,
  • um ritual iniciático,
  • uma prova de resistência psicológica,
  • e um teste de fé na humanidade.

E perante isto, alguém pensou:

"Já sei! Vamos criar um Centro de Excelência em IA."

É como tentar apagar um incêndio florestal com um powerpoint bem formatado.

5) Integrado na ARTE: génio, puro génio

Esta é a obra-prima.

Não é apenas um centro técnico. Não é apenas uma unidade operacional. Não é apenas uma estrutura transversal.

É:

integrado na ARTE.

Pronto. Acabou. Ganhámos.

A partir de agora, a Administração Pública não se gere. interpreta-se.

Daqui a pouco temos :

  • Residência artística para algoritmos ociosos
  • Performance "O Cidadão Espera" (12 horas em loop)
  • Instalação "Formulário Infinito em Três Actos"
  • Exposição permanente: "O Processo Está em Análise"

A IA não vai limpar bases de dados. Vai inspirar-se.

6) A grande ilusão: IA sobre sistemas podres

Aqui está o ponto que dói:

IA não se implanta em cima de sistemas podres.
IA não corrige desorganização estrutural.
IA não substitui liderança técnica.

IA é amplificador. E em Portugal, vai amplificar… o caos e a corrupção..

Isto não é transformação digital. É cenografia futurista sobre ruína administrativa.

7) Portugal: o país que quer parecer moderno sem mudar nada

Esta é a frase-chave:

Portugal não quer transformar o Estado. Quer que o Estado pareça moderno enquanto continua igual.

É o teatro da inovação. O cosplay da modernidade. A maquilhagem digital no cadáver institucional.

Epílogo: Bienal da Burocracia Digital

Dentro de um ano teremos:

  • Relatório estratégico com 180 páginas e zero impacto
  • Conferência internacional com coffee-break sustentável
  • Painel "A IA como Instrumento de Cidadania"
  • E o cidadão… à espera.

Mas atenção:

à espera de forma artística.

Aletheia Veritas, in "ir às lágrimas"
Coautoria editorial: Augustus Veritas, em modo hilariante — sátira, lâmina e lucidez
🌌 Fragmentos do Caos: Blogue Ebooks Carrossel
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