Portugal: A Excelência Como Incómodo Nacional

BOX DE FACTOS
- A excelência deixou de ser meta colectiva.
- O mérito transformou-se em perturbação social.
- O sistema prefere estabilidade à verdade.
- O talento incomoda mais do que a incompetência.
A Excelência Como Incómodo Nacional
Em Portugal, a excelência não é farol.
É incómodo.
Faz barulho.
Desalinha o coro.
O excelente perturba porque obriga à comparação.
E a comparação dói mais do que a mediocridade consola.
Quem tenta ir além é logo visto como "complicado",
quem pensa diferente é "difícil",
quem trabalha bem é "ameaça",
e quem sonha alto… bom, esse devia "baixar a bola".
Aqui, a régua mede-se pelo chão, não pelo céu.
A excelência exige esforço, estudo, disciplina, carácter —
quatro palavras proibidas num país educado para o "desenrasca",
para o "logo se vê",
para o "não vale a pena".
Ser excelente obriga o sistema a mexer-se.
E o sistema prefere dormir.
Por isso o talento emigra,
a ciência pede licença,
a inovação fica à porta,
e o mérito aprende cedo a fazer as malas.
Não porque Portugal não tenha génios — tem-nos aos milhares —
mas porque a mediocridade organizada governa melhor quando ninguém brilha demasiado.
É como uma sala mal iluminada:
uma única vela incomoda mais do que cem sombras.
Mas há futuro
A excelência pode ser maçada…
mas é também semente.
Pode não florescer no aplauso,
mas cresce na persistência silenciosa.
E quando um país finalmente acorda —
não são os acomodados que sabem o caminho.
São sempre os "incomodativos",
os "difíceis",
os "exagerados",
os que nunca aceitaram viver de joelhos.
Porque há quem viva para caber no sistema…
e há quem exista para o obrigar a mudar.
Fragmentos do Caos — Contra o Teatro da Mediocridade
Co-autoria editorial: Augustus Veritas