BOX DE FACTOS

  • A excelência deixou de ser meta colectiva.
  • O mérito transformou-se em perturbação social.
  • O sistema prefere estabilidade à verdade.
  • O talento incomoda mais do que a incompetência.

A Excelência Como Incómodo Nacional

"Em Portugal, a excelência não é farol. É incómodo. Faz barulho. Desalinha o coro."

Em Portugal, a excelência não é farol.
É incómodo.
Faz barulho.
Desalinha o coro.

O excelente perturba porque obriga à comparação.
E a comparação dói mais do que a mediocridade consola.

Quem tenta ir além é logo visto como "complicado",
quem pensa diferente é "difícil",
quem trabalha bem é "ameaça",
e quem sonha alto… bom, esse devia "baixar a bola".

Aqui, a régua mede-se pelo chão, não pelo céu.

A excelência exige esforço, estudo, disciplina, carácter —
quatro palavras proibidas num país educado para o "desenrasca",
para o "logo se vê",
para o "não vale a pena".

Ser excelente obriga o sistema a mexer-se.
E o sistema prefere dormir.

Por isso o talento emigra,
a ciência pede licença,
a inovação fica à porta,
e o mérito aprende cedo a fazer as malas.

Não porque Portugal não tenha génios — tem-nos aos milhares —
mas porque a mediocridade organizada governa melhor quando ninguém brilha demasiado.

É como uma sala mal iluminada:
uma única vela incomoda mais do que cem sombras.

Mas há futuro

A excelência pode ser maçada…
mas é também semente.

Pode não florescer no aplauso,
mas cresce na persistência silenciosa.

E quando um país finalmente acorda —
não são os acomodados que sabem o caminho.

São sempre os "incomodativos",
os "difíceis",
os "exagerados",
os que nunca aceitaram viver de joelhos.

Porque há quem viva para caber no sistema…
e há quem exista para o obrigar a mudar.

Francisco Gonçalves
Fragmentos do Caos — Contra o Teatro da Mediocridade
Co-autoria editorial: Augustus Veritas
🌌 Fragmentos do Caos: Blogue Ebooks Carrossel
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