O País Falhado e o Governo do «Não Sei Mais»

- Portugal é descrito pelo próprio poder como um país frágil e estagnado.
- O Estado social encontra-se degradado e sem respostas estruturais.
- Os governantes admitem o problema, mas não apresentam plano.
- O discurso substitui a governação efectiva por moralina.
- A responsabilidade é devolvida ao povo.
O País Falhado e o Governo do «Não Sei Mais»
Portugal chegou a um ponto indecente: o poder descreve o fracasso como quem descreve o tempo. A economia é débil, o Estado social degrada-se, a pobreza alastra — e tudo isto é dito com a frieza de quem observa, não de quem governa.
Há uma crueldade fina em governantes que assumem a própria incompetência e, em vez de apresentarem soluções, oferecem votos piedosos. A política reduzida a incenso: cheira bem por instantes, mas não apaga o incêndio.
O pantanal como desculpa
Quando se afirma que o país está num pantanal, a frase devia soar a alarme. Mas é usada como desculpa. O pantanal não nasceu sozinho: foi sendo construído com omissões, adiamentos e uma prática sistemática de empurrar decisões para amanhã.
Segue-se o ritual conhecido: apelos à esperança, à união, à paciência. Como se o Estado fosse um observador neutro e o povo o responsável último por resolver aquilo que o poder não resolveu.
A pobreza mais perigosa
A pobreza mais devastadora não é apenas material — é a pobreza de espírito. Um povo pode ser pobre e continuar digno. Mas quando lhe roubam a exigência, a memória e o sentido de justiça, fica um país domesticado.
Foi assim que muitos se deixaram governar por gente pequena, não por falta de currículo, mas por falta de carácter. Gente rica em palavras, pobre em coragem.
A pergunta que incomoda
Como foi possível? Porque durante demasiado tempo a mediocridade foi normalizada, a incompetência foi desculpada e o fracasso foi apresentado como inevitável.
Um país não cai de repente. Afunda-se devagar, enquanto aceita discursos vazios como se fossem governação.
O antídoto
A saída não é a fúria. É a cidadania adulta. Exigir contas, exigir competência, exigir que quem governa saiba o que faz — e se não sabe, que saia.
Um país não se salva com frases bonitas nem com despedidas simpáticas. Salva-se com trabalho sério, responsabilidade e memória política.
Boa noite e até às uvas é a frase perfeita para o adiamento eterno. Mas um país não pode viver de adiamentos. Precisa de chão firme.
Fragmentos do Caos
Crónica em co-autoria com Augustus