O Ferro que Pensa: DGX Spark/Station e DeepSeek — a IA entra na oficina do mundo

- DGX Spark: "personal AI supercomputer" com GB10 Grace Blackwell, 128GB de memória unificada coerente e referência de preço $3,999 no marketplace NVIDIA. 0
- DGX Spark: especificações e mensagens de mercado repetem o alvo: até ~200B parâmetros em desenvolvimento/teste local (dependendo do modelo/quantização). 1
- DGX Station: superchip GB300 Grace Blackwell Ultra, até 20 PFLOPS e 784GB de memória unificada; networking até 800Gb/s (ConnectX-8). 2
- DeepSeek-V3.2 (1 Dez 2025): integra "thinking" directamente em tool-use e suporta ferramentas em modos "thinking" e "non-thinking". 3
- DeepSeek-V3.2-Exp (29 Set 2025): passo "intermédio" com DeepSeek Sparse Attention (DSA) para contexto longo e corte de preço de API >50%. 4
- DeepSeek V4: Reuters reporta que poderá sair em meados de Fevereiro de 2026, com foco em coding e prompts longos (a DeepSeek não confirmou oficialmente). 5
O Ferro que Pensa: DGX Spark/Station e DeepSeek — a IA entra na oficina do mundo
1) DGX Spark: o "supercomputador pessoal" deixa de ser metáfora
A NVIDIA pôs nome ao que muitos andavam a improvisar: a ideia de que o programador, a PME e o laboratório não podem viver eternamente dependentes do taxímetro da cloud. O DGX Spark surge como peça de ruptura — um "personal AI supercomputer" com referência de preço $3,999 no marketplace da NVIDIA, e uma promessa que tem algo de subversivo: potência local, memória unificada e um ecossistema que não pede licença para existir. 6
A sua narrativa técnica repete a mesma ideia, com a insistência de quem sabe o que está a vender: GB10 Grace Blackwell, 128GB coerentes e capacidade para trabalhar com modelos muito grandes em ambiente de desenvolvimento e teste (dependendo de quantização e arquitectura do modelo). 7 Ou seja: não é um brinquedo. É um nó de IA que começa a parecer infra-estrutura.
2) DGX Station: quando a secretária começa a cheirar a data center
Se o Spark é a democratização, a DGX Station é a afirmação: o desktop como habitat natural para treino e inferência sérios. A NVIDIA descreve a Station como o primeiro sistema construído com o GB300 Grace Blackwell Ultra, oferecendo até 20 PFLOPS e 784GB de memória unificada — com ConnectX-8 a abrir portas a escalabilidade multi-station via 800Gb/s. 8
Há aqui uma mensagem que interessa ao mundo real: a NVIDIA está a dizer que "IA grande" já não pertence apenas aos gigantes. Pertence também a equipas pequenas — desde que tenham disciplina, arquitectura e coragem para trazer o poder para dentro de casa.
3) DeepSeek V3.2: o modelo que quer ser agente, não só oráculo
Do lado dos modelos, a DeepSeek fez algo que muita gente promete e pouca gente entrega: aproximou o "raciocínio" do "fazer". O DeepSeek-V3.2 afirma-se como o primeiro modelo da casa a integrar "thinking" directamente em tool-use, e a suportar ferramentas tanto no modo "thinking" como no "non-thinking". 9
Traduzido para o chão do negócio: isto é a ponte entre responder e operar. Entre escrever bonito e produzir trabalho: chamar APIs internas, consultar bases de dados, gerar propostas, validar regras, compor relatórios — com guardrails, claro.
4) DSA e o contexto longo: quando a memória deixa de ser um luxo
O V3.2-Exp foi apresentado como passo "intermédio", mas trouxe uma peça-chave: DeepSeek Sparse Attention (DSA), desenhada para reduzir custo computacional em texto longo e pressionar preços (incluindo um corte de API >50% anunciado pela empresa). 10
E é aqui que Spark/Station e DeepSeek se olham nos olhos: modelos que respiram melhor em contexto longo + hardware com memória coerente generosa = terreno fértil para RAG empresarial (documentação, procedimentos, catálogos, histórico de tickets) sem depender sempre da nuvem.
5) DeepSeek V4: o rumor que vem com assinatura (mas ainda sem carimbo oficial)
Há rumores e há rumores com peso. A Reuters reportou (com base num relatório do The Information) que a DeepSeek poderá lançar o V4 em meados de Fevereiro de 2026, com forte foco em coding e capacidade para processar prompts de código muito longos — algo que pode mexer com produtividade real em engenharia de software. A DeepSeek não confirmou oficialmente, por isso a data deve ser tratada como provisória, mas a direcção é clara. 11
Epílogo: 2026 é o ano em que a IA volta a ser infra-estrutura
Há uma mudança silenciosa a acontecer: a IA deixa de ser um "serviço distante" e passa a ser uma peça do teu ecossistema — ao lado do teu servidor, do teu NAS, do teu ERP, do teu código. O DGX Spark abre a porta. A DGX Station arromba o portão. 12
E do lado dos modelos, a DeepSeek insiste na mesma heresia produtiva: não basta falar, é preciso fazer — com eficiência, contexto longo e uso de ferramentas. E é nessa combinação — ferro e raciocínio — que 2026 começa a ganhar forma.
Fragmentos do Caos • FC-Chronic-News
Coautoria editorial: Augustus Veritas