Nós, o POVO — Para os que falharam durante 51 anos de democracia (e para que não passem na História)

- Ideia central: a História julga pelo rasto — não pela gravata.
- Acusação: omissões repetidas tornam-se política de Estado.
- Justiça: quando a lei se arrasta, o tempo vira absolvição dos poderosos.
- Democracia: não é ritual nem fotografia — é contrato vivo no quotidiano.
- Aviso: regimes também caem pela erosão lenta da confiança.
Nós, o POVO
Para os que o povo elegeu — e falharam
Para os que o povo elegeu durante estes últimos 51 anos de democracia e falharam... falharam sempre — e para que não passem na História.
Que ninguém se engane: a História não absolve pelo tom, pelo cargo, nem pela gravata. A História absolve — ou condena — pelo rasto deixado no chão. E o rasto destes anos é pesado: bancos que colapsaram como castelos de cartas, processos que se arrastaram como nevoeiro, serviços públicos degradados até ao limite, um Estado forte com os fracos e tímido com os poderosos, e uma democracia empurrada para a zona cinzenta onde a forma se mantém e a substância morre.
A omissão, quando repetida, deixa de ser acidente
Aos governantes que sabiam e permitiram; aos políticos que viram e calaram; aos decisores que adiaram, suavizaram, arquivaram, relativizaram; aos que confundiram prudência com cobardia e compromisso com conivência: não vos será permitido passar incólumes na História.
Não basta dizer "não fui eu". Não basta culpar "o sistema". O sistema não é uma entidade meteorológica. O sistema é feito de decisões, assinaturas, votos, despachos, omissões e carreiras construídas em cima de silêncios convenientes. E quando a omissão é repetida, ela deixa de ser omissão: torna-se política de Estado.
Justiça não é ritual — é consequência
Aos juízes e magistrados — a todos os que têm nas mãos o peso da Justiça: a toga não é escudo, é responsabilidade. Quando a lei se torna lenta ao ponto de ser inútil, quando os poderosos aprendem que o tempo é a sua absolvição, e quando o cidadão comum aprende que o tribunal é um labirinto, a democracia começa a perder o seu último pilar. A Justiça não pode ser um ritual. Tem de ser consequência.
O povo não é plateia
Aos governantes de hoje e de amanhã: lembrem-se de que o povo não é uma plateia. É o único titular da soberania. O Estado não é dono da Constituição: está subordinado a ela. E a democracia não é uma fotografia de Abril emoldurada na parede — é um contrato vivo que se cumpre no hospital, no fisco, no tribunal, no balcão do serviço público.
A idade sombria começa quando a confiança morre
Se a História tem uma moral, é esta: os regimes não caem apenas por golpes. Caem pela erosão lenta da confiança, pela normalização da impunidade, pelo hábito de enganar com palavras bonitas, e pela insistência em tratar o povo como um detalhe administrativo. E quando a confiança morre, o país entra numa idade sombria onde tudo é possível — inclusive o pior.
Aviso e memória
Por isso, registamos isto como aviso e como memória: não passarão na História como "inevitáveis", nem como "bem-intencionados", nem como "vítimas das circunstâncias". Passarão — se nada mudar — como a geração que deixou a democracia degradar-se por dentro. E o povo, que suporta o peso final de cada falha, não tem obrigação de vos oferecer o conforto do esquecimento.
Para que a História os julgue pelo que fizeram — e, sobretudo, pelo que deixaram apodrecer. Usurparam o nome do povo, mas nunca terão o seu perdão automático. O povo pode esquecer nomes; a História não esquece rasto.
[Jan 2026]