BOX DE FACTOS
  • Portugal mantém há décadas níveis elevados de percepção de corrupção segundo o Transparency International.
  • Casos estruturais: BES, Banif, EDP, Operação Marquês, TAP, Justiça lenta e politizada.
  • Classe política com fraca experiência fora da política e carreiras feitas em aparelhos partidários.
  • Desresponsabilização crónica: ninguém é culpado, todos são "herdeiros de problemas".

A República dos Medíocres — Como a Incompetência Se Tornou Regime em Portugal

Em Portugal, a corrupção não é um desvio. É um método. A mediocridade não é um acidente. É um critério de selecção.

Não, não foi um terramoto. Não foi uma guerra. Não foi uma praga bíblica. Foi muito pior: foi deixado acontecer.

Portugal não colapsou. Portugal foi ocupado por dentro — por gente pequena em cargos grandes, por carreiristas de partido, por apparatchiks de gabinete, por incompetentes com tiques de estadistas e currículo de fotocópia.

A Ascensão dos Pequenos

Nunca como agora o país foi governado por tanta gente que nunca governou nada. Nunca como agora tivemos tantos ministros que nunca geriram uma empresa, nunca lideraram uma equipa, nunca criaram valor, nunca assumiram risco.

Entram na política como "coladores de cartazes" e estagiários de ambição e saem como profissionais da intriga.

O talento incomoda. A independência assusta. A inteligência ameaça.

A mediocridade, essa… é confortável. É previsível. É dócil. É obediente.

E assim se construiu o novo perfil do governante português:

  • Fraca preparação técnica
  • Forte militância partidária
  • Lealdade cega ao chefe
  • Zero responsabilidade pelos resultados

A Corrupção de Gravata e Sorriso

A corrupção em Portugal já não usa sacos de dinheiro. Usa consultorias, fundos, ajustes directos, fundos europeus, lugares em conselhos de administração.

É uma corrupção de powerpoint e contrato-programa. De assinatura elegante e roubo higiénico.

E quando explode?

— "Não sabíamos." — "Foi o anterior governo." — "Houve falhas técnicas." — "A responsabilidade é colectiva."

Tradução: ninguém paga. O povo paga.

O Circo da Impunidade

Temos processos que duram décadas. Temos escândalos que prescrevem. Temos arguidos que se candidatam. Temos condenados que comentam na televisão.

E chamamos a isto… democracia.

Não. Isto chama-se regime de impunidade institucionalizada.

O cidadão comum é multado, fiscalizado, perseguido. O poderoso é protegido, arrastado, esquecido.

O País que Premia os Piores

Em Portugal, quem trabalha é parvo. Quem cria é suspeito. Quem exige é "radical". Quem denuncia é "instável".

Mas quem intriga, quem manobra, quem se cola ao partido certo… sobe.

É a meritocracia ao contrário. É o darwinismo da mediocridade.

Sobrevivem os mais adaptados ao pântano em que se transformou o país.

O Silêncio que Alimenta o Monstro

E depois há a nossa parte. A parte que custa admitir.

Nós deixámos.

Deixámos por cansaço. Deixámos por medo. Deixámos por resignação. Deixámos porque "não vale a pena".

E enquanto o cidadão honesto se afasta, emigra, desiste ou se cala, o medíocre ocupa. O incompetente avança. O corrupto consolida.

Não é Falha. É Modelo.

Isto não é um erro do sistema. Isto é o sistema.

Um sistema que selecciona os piores porque são mais fáceis de controlar. Um sistema que teme os melhores porque são difíceis de domesticar.

Um sistema que prefere a obediência à competência. A fidelidade à verdade. O silêncio à coragem.

Epílogo — O País Não Está Morto. Está Sequestrado.

Portugal não é um país falhado. É um país capturado.

Capturado por carreiras vazias, por egos inflados, por mediocridades organizadas.

Mas há algo que eles não controlam: a lucidez. a memória. a indignação que não adormece.

E enquanto houver quem escreva, quem pense, quem denuncie, quem recuse ajoelhar… o regime treme. Mesmo que finja não ouvir.

Porque a verdade, dita com clareza, é sempre subversiva.

Francisco Gonçalves
Fragmentos do Caos News Team
Crónica escrita em parceria com Augustus Veritas — porque a lucidez também é resistência.
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