BOX DE FACTOS
  • 2,9 milhões €/dia em impostos não cobrados às multinacionais (estimativa citada a partir da Tax Justice Network).
  • 1.045 milhões €/ano a "fugirem" para paraísos fiscais e jurisdições brandas.
  • Equivalência divulgada: 8,6% da despesa nacional em Saúde ou 10,6% em Educação.
  • Ordem de grandeza: cerca de 2% da receita fiscal anual e ~101€ por português (referência jornalística).
  • O essencial: quando a receita se evapora, a factura volta sempre ao mesmo sítio — quem trabalha, paga.

Isto é um Crime Contra os portugueses e a Nação: A Evasão Fiscal Que Nos Rouba o Futuro

Ilustração — evasão fiscal e assalto ao bem comum
Nota: O monstro que corrompe Portugal (Media → Biblioteca).
Há crimes que não precisam de sangue à vista: basta-lhes o silêncio. Quando milhões saem do país como quem sai pela porta do fundo, entram depois pela frente… sob a forma de falta: falta de médicos, de professores, de dignidade pública.

O que lemos nestes números não é apenas um relatório: é um raio-X do nosso tempo. Um país pode sobreviver a muitas coisas — à chuva, à seca, à azia política, à retórica de plástico. Mas há uma coisa que o destrói sem barulho: a hemorragia fiscal que transforma o bem comum num saco roto.

O assalto perfeito: sem máscara, com gravata

2,9 milhões de euros por dia. Repito devagar, como quem lê uma sentença: dois vírgula nove milhões. É dinheiro que não aparece nos hospitais, não reforça escolas, não repara estradas, não moderniza infra-estruturas — e depois ainda nos dizem, com cara séria, que "não há margem".

Quando a lei tem portas VIP

A perversidade do sistema é esta: uma parte do mecanismo vive na fronteira do legal — "planeamento fiscal agressivo", chamam-lhe. É a arte de torcer o texto até ele confessar aquilo que nunca quis dizer. E enquanto o cidadão comum discute recibos e multas, as estruturas sofisticadas movem lucros como quem move sombras: aqui, ali, acolá, até que o imposto… desapareça.

O custo real: saúde, educação e o futuro por pagar

Quando o jornal escreve que a perda equivale a fatias relevantes da despesa em Saúde e Educação, não está a fazer poesia. Está a traduzir a injustiça para uma linguagem que até o cinismo compreende: percentagens. E uma percentagem, aqui, é um serviço a menos, uma urgência a rebentar, uma turma sem apoio, um país a envelhecer por dentro.

O mundo tenta reagir — mas a fuga é rápida

Há, pelo menos, uma tentativa internacional de travar esta corrida: o imposto mínimo global (Pillar Two), que pretende impor um "top-up" até uma taxa mínima efectiva. É uma ideia simples: se o lucro for sub-tributado num sítio, paga-se a diferença noutro. Mas o diabo mora sempre nos detalhes: excepções, atrasos, resistências, e a velha chantagem subtil — "se nos apertarem, mudamos de país".

Epílogo: a pergunta que vale mais do que mil relatórios

Se um país perde milhares de milhões ao longo dos anos, e se isso impede investimento essencial, então a pergunta é brutal e inevitável: quantas salas de aula fechadas, quantas listas de espera, quantas vidas adiadas cabem numa "optimização fiscal"?

O que assombra Portugal não é apenas a pobreza: é a arquitectura da pobreza, construída com leis frouxas, fiscalizações frágeis e uma cultura de impunidade sofisticada. E contra isso, não há milagre: há luz. Luz nas regras. Luz na transparência. Luz na coragem de dizer :basta.

FONTES E REFERÊNCIAS
Nota: Algumas ligações podem estar limitadas a assinantes; quando assim for, mantém-se o URL como referência documental e cruza-se com fontes públicas (relatórios TJN/OCDE).

Artigo de Francisco Gonçalves
Fragmentos do Caos — Texto de combate. Pesquisa de Fontes e Co-autoria editorial: Augustus Veritas (IA Assistant).
🌌 Fragmentos do Caos: Blogue Ebooks Carrossel
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