Trump e o Milagre Económico: A Verdade por Trás da Fanfarra

- Trump afirmou que a economia dos EUA "nunca esteve tão forte".
- Os EUA vivem crescimento, mas também desigualdade profunda e custos de vida elevadíssimos.
- A "riqueza recorde" está concentrada sobretudo nos 1% mais ricos.
- Muitos trabalhadores têm 2 ou 3 empregos para sobreviver.
- Declarações económicas de Trump são habitualmente armas políticas, não análises técnicas.
Trump e o Milagre Económico: A Verdade por Trás da Fanfarra
O Superlativo Permanente: A Economia "Mais Forte de Sempre"
Donald Trump tem um talento quase artístico para transformar qualquer dado económico numa declaração apocalíptica de grandeza. Se o PIB sobe um pouco, é o maior crescimento da história. Se desce, é culpa dos democratas, dos imigrantes, da China, do alinhamento dos planetas — tudo menos dele.
A economia americana é de facto poderosa, resiliente e inovadora. Mas daí a dizer que "nunca esteve tão forte", vai uma distância tão grande como aquela entre Wall Street e o bairro pobre onde vivem milhões de americanos que hoje trabalham mais horas do que nunca para pagar menos do que antes.
Riqueza Recorde… Para Quem?
Quando Trump fala em riqueza histórica, refere-se a números que brilham nos relatórios dos grandes bancos e das empresas tecnológicas. Wall Street está feliz; os fundos privados estão radiantes; o clube dos bilionários ganhou novos membros como quem colecciona selos raros.
Mas a pergunta essencial fica no ar como uma bofetada suspensa: quantos americanos beneficiaram realmente dessa riqueza?
A resposta é amarga: a esmagadora maioria vive uma realidade paralela, feita de salários estagnados, rendas impossíveis, cuidados médicos incomportáveis e dívidas que crescem como ervas daninhas. Sim, há "mais riqueza do que nunca", mas concentrada num cume social tão estreito que quase ninguém lá cabe.
O Desemprego Baixo Como Ilusão de Óptica
Trump adora citar as baixas taxas de desemprego — e é verdade que são historicamente reduzidas. Mas o diabo mora nos detalhes:
- Grande parte desses empregos é precária ou mal remunerada.
- Os salários não acompanharam a inflação recente.
- Milhões acumulam dois ou três empregos para garantir despesas básicas.
É como dizer que um barco está estável enquanto a tripulação trabalha em turnos de 20 horas para impedir que ele afunde.
O Truque Político: Criar a Ilusão de Era Dourada
A frase "a economia nunca foi tão forte" não é uma análise. É um slogan de campanha.
Serve para cristalizar a ideia de que sob Trump tudo florescia, tudo crescia, tudo brilhava. E que sem ele regressamos ao caos. É uma narrativa infantil, mas eficaz — porque metade do eleitorado prefere uma ficção bem contada a uma verdade complexa.
A Realidade Nua e Crua
Os EUA têm uma economia robusta, sim — mas também uma das mais desiguais do mundo ocidental. Têm inovação tecnológica brutal — mas também milhões sem acesso a cuidados de saúde. Têm mercados financeiros em êxtase — mas famílias endividadas até ao pescoço.
A verdade incómoda é esta: a prosperidade americana é selectiva, frágil e profundamente desigual.
Entre a Fanfarra e o Facto
Trump é mestre na arte de transformar números em narrativa épica, mesmo quando a realidade é bem mais sombria. O "milagre económico" que vende é menos economia e mais espectáculo — um teatro de luzes intensas que esconde as sombras profundas onde vive o americano médio.
A economia dos EUA está forte em alguns pilares, desequilibrada noutros e injusta em muitos. Dizer que "nunca foi tão rica" é como proclamar o Verão eterno em pleno Inverno: pode aquecer o coração dos crédulos, mas não muda a temperatura real.
Trump continuará a tocar a música da grandeza infinita. A questão é saber quantos ainda dançam — e quantos já perceberam que o maestro está mais preocupado com o aplauso do que com a verdade.
Série "Contra o Teatro da Mediocridade" — Fragmentos do Caos.