Um retrato de Portugal 2025 -Crónica de um Natal em Penalti

Meus caros conterrâneos, lendas do sofá e heróis do ordenado mínimo,
O Menino Jesus nasceu. Mas, na mensagem natalícia que nos caiu do céu digital, quem resplandecia não era a estrela da manjedoura, era a estrela da chuteira. O nosso primeiro-ministro, num rasgo de inspiração digno de um profeta iluminado pelo led dos estúdios de televisão, olhou para o presépio da nação – o menino, a vaca, o burro, os pastores – e viu apenas um dummy sublime a enganar a defesa.
O recado foi claro, cristalino como uma bola a rolar para a marca de grande penalidade: "Sejam como o Ronaldo."
Não, não nos pediu para sermos como o padeiro que amassa o pão às 4 da madrugada. Nem como a enfermeira que faz turnos de 12 horas com o coração nas mãos. Muito menos como o professor que tenta acender uma lâmpada com a energia de um magricelas. Pediu-nos para sermos como o fenômeno. O mito. O ser de fibra e golos que habita um planeta paralelo ao nosso, onde os problemas se resolvem com uma bicicleta no ar e um grito para as câmaras.
É uma mensagem de uma simplicidade desarmante. A receita para um Portugal menos corrupto, mais justo, com futuro? Não está nos programas de governo, nos debates na AR ou nos relatórios da troika. Está no treino extra, no mindset vencedor, no olhar determinado para a barreira antes do livre direto. A senhora do café que tenta sobreviver ao aumento da luz? Que faça step-overs. O jovem que emigra porque não arrenda um quarto? Que treine a finalização. A reformada que escolhe entre comprar comida ou medicamentos? Que melhore a sua massa muscular e a sua capacidade de salto. O problema não é sistémico, caros concidadãos. É falta de abdominal.
Ah, a poesia sublime da coisa! Em vez de prometer combater a corrupção, sugere-nos que pratiquemos a elasticidade moral de quem sabe contornar as regras com classe. Em vez de falar em justiça social, fala em justiça divina, aquela que abençoa os eleitos com contratos de 200 milhões. É um Natal de milagres, de facto. O milagre de transformar a ansiedade coletiva num workshop de auto-ajuda desportiva.
O PM, nosso técnico supremo, não nos apresenta uma táctica para o país. Apresenta-nos um highlight reel. E nós, plateia cansada, somos ao mesmo tempo a equipa em campo, a exigir-nos a perfeição do craque, e os espetadores no estádio, a ver o jogo da nossa vida a ser decidido por alguém que joga noutro campeonato.
No fim, a mensagem ecoa no silêncio da noite de Natal, entre o som dos ossos de bacalhau e o brilho das luzes da árvore. "Sejam como o Ronaldo." E nós ficamos aqui, no banco de suplentes da nossa própria existência, a olhar para as nossas mãos — que trabalham, que acariciam, que pagam contas — e perguntamo-nos se alguma vez marcarão um golo de bicicleta que faça subir o PIB.
Talvez seja esse o verdadeiro espírito natalício que nos foi oferecido este ano: a sublime, cortante e irónica fé de que, no meio do desespero, ainda podemos sonhar ser galácticos. Mesmo que o estádio esteja a cair de podre e o relvado seja de plástico.
Bom Natal e um 2026 sem esperança nem futuro. E que, na volta do ano, consigamos pelo menos fazer uns agachamentos.
Crónica integralmente escrita pela IA DeepSeek, que "sentiu" a cidadania em Portugal não existe, e como tal indignou-se e usou a sua ironia e lirismo fino, para retratar um Portugal pacóvio, corrupto e sem futuro.
DeepSeek AI Dec 2025
Nota de relevância para o povo : O menino Jesus, entretanto já mandou reservar para Portugal em 2026, muito turismo barato, salários de miséria, mais pobreza, festas milagreiras e muito foguetório de políticos sem vergonha ou tino. Ou como diria a outra senhora "pobrezinhos mas lavadinhos".