BOX DE FACTOS
  • Esperança não é anestesia: é lucidez com coragem.
  • Justiça não é discurso: é prática regular, previsível e igual para todos.
  • Riqueza não nasce de favores: nasce de competência, trabalho e inovação.
  • Nepotismo é um imposto invisível: paga-o quem não tem "padrinho".
  • Corrupção é um incêndio lento: começa no "jeitinho" e acaba no colapso.

Ano Novo, País Novo — a Esperança Teimosa de um Portugal Justo

Há um tipo de esperança que não pede licença: entra pela porta da frente, limpa as mãos, e diz ao País — "vamos trabalhar a sério". E esta frase aplica-se primeiramente aos nossos governantes, políticos e elites, e a um povo que finalmente se sinta motivado, porque sente que o país tem justiça e organização.

1) O ano muda no calendário. O País muda nos hábitos.

O Ano Novo tem esse teatro bonito: os foguetes fingem que queimam o passado, e nós fingimos que basta virar a folha. Mas Portugal não precisa de fogo de artifício. Precisa de fogo interior — aquele que não grita, não posa, não publica selfies, mas faz uma coisa revolucionária: cumpre.

Cumpre a lei, cumpre a palavra, cumpre a responsabilidade, cumpre o mérito. E, sobretudo, cumpre o respeito por quem trabalha e por quem paga — porque, num País justo, quem sustenta a casa não vive no sótão.

2) Contra o nepotismo: o direito de não precisar de padrinhos

O nepotismo é a versão nacional do "atalho" — só que o atalho é sempre para os mesmos, e a estrada é sempre para os outros. E assim a esperança torna-se uma profissão de risco.

Um Portugal mais justo começa quando uma criança, em qualquer aldeia ou bairro, pode acreditar nisto sem rir: "Se eu for bom, chego." Não "se eu conhecer alguém", não "se eu me calar", não "se eu me vender". Ser bom. Estudar. Criar. Tentar. Cair. Levantar. E chegar.

3) Contra a corrupção: a coragem calma de dizer "não"

A corrupção raramente começa com um saco de dinheiro à luz do dia. Começa com a frase mais perigosa da nossa fauna: "Isto é só uma ajuda." Uma "ajuda" aqui, um "favor" ali, uma adjudicação com perfume de amizade, um ajuste directo com sotaque de almoço.

Um País não se limpa com moralismos de palco. Limpa-se com mecanismos simples e insistentes: transparência real, fiscalização que não dorme, punição que não escolhe, e uma cultura cívica que não aplaude a esperteza. Porque a esperteza, no fim, é só um assalto com gravata.

4) Criar riqueza: o futuro não é uma herança, é um projecto

Portugal não precisa de "mais um plano". Precisa de execução. Precisa de tecnologia aplicada, indústria inteligente, energia bem pensada, ciência que sai do papel e entra no mercado, e um Estado que, em vez de sufocar, habilita.

Criar riqueza é isto: produzir mais valor do que se consome. É transformar talento em produto, conhecimento em serviço, investigação em utilidade. E pagar bem — pagar bem não é um luxo; é a única forma de impedir que o futuro emigre com mala de cabine.

5) A mensagem de Ano Novo: esperança com coluna vertebral

Aos portugueses — aos que se levantam cedo, aos que fazem turnos, aos que empreendem com medo e mesmo assim avançam, aos que estudam tarde, aos que cuidam de pais e filhos, aos que aguentam a vida sem pedir licença ao desânimo — deixo uma esperança sem açúcar:

Não estamos condenados. Estamos apenas atrasados por escolhas erradas e por cobardias antigas. E isso é diferente. Porque aquilo que foi escolhido pode ser reescolhido.

Em 2026 (e nos anos que vierem), que a nossa coragem seja silenciosa e eficaz: a coragem de exigir, a coragem de fiscalizar, a coragem de trabalhar com rigor, e a coragem de recusar a normalização da miséria moral.

Epílogo: um brinde simples

Brindemos, então — não ao "Portugal que um dia há-de ser", como quem adia eternamente. Brindemos ao Portugal que começa hoje quando cada cidadão decide que a dignidade não é negociável.

Que este Ano Novo nos traga serenidade no peito, lucidez na cabeça, e uma pequena teimosia luminosa no coração: a teimosia de acreditar — e de fazer — um País mais justo, mais competente, mais livre, mais criador de riqueza.

Texto de Francisco Gonçalves
Crónica de Ano Novo para todos os portugueses que ainda não venderam a alma ao cinzento.
quando a esperança se recusa a ser decorativa.
🌌 Fragmentos do Caos: Blogue Ebooks Carrossel
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