BOX DE FACTOS

  • As democracias ocidentais têm vindo a perder qualidade institucional.
  • O aumento da corrupção política está correlacionado com captura económica.
  • A manipulação da opinião pública tornou-se uma indústria global.
  • O voto mantém-se livre; a consciência, nem tanto.

A AGONIA DAS DEMOCRACIAS CAPTURADAS

As democracias não estão a morrer de velhice. Estão a ser sufocadas, lenta e metodicamente, por poderes ocultos que elegeram políticos fracos para servirem interesses fortes.

As democracias do século XXI não tombam sob tanques nem explodem em golpes clássicos. O seu declínio é mais subtil — e mais perverso. São dissolvidas por dentro, como um organismo invadido por parasitas que se alimentam do que resta de vitalidade no sistema político.

O TEATRO DA LEGITIMIDADE

Os políticos que ocupam hoje o palco democrático foram eleitos pelo povo, sim, mas foram preparados, embalados e lançados ao mercado eleitoral pelas mesmas elites económicas que controlam o guião invisível do espectáculo político. O cidadão pensa que escolhe. Na verdade, escolhe de uma lista pré-filtrada por interesses que nada têm a ver com o bem comum.

A OPINIÃO PÚBLICA COMO PRODUTO

A manipulação já não é artesanal; é uma indústria global. A opinião pública deixou de ser orgânica — é fabricada. Os algoritmos substituíram a razão, e as narrativas fabricadas substituíram o debate democrático. O que resta ao povo, esmagado entre propaganda e frustração?

POLÍTICOS FRACOS, ELITES FORTES

Temos líderes que já não lideram — acomodam-se. Governam não pela força do carácter, mas pela força das circunstâncias que lhes foram compradas e oferecidas. São peões úteis de interesses que se escondem por trás de escritórios luxuosos, fundos opacos e consultores bem pagos.

O CIDADÃO SUFOCADO

A democracia degradada cai sempre sobre a mesma vítima: o cidadão comum. Aquele que trabalha, paga, sofre e observa. Aquele que vê as promessas eleitorais transformarem-se em poeira política logo na primeira semana de governação. Aquele que assiste ao espectáculo e sabe, lá no fundo, que o bilhete que comprou já não vale nada.

O SILÊNCIO QUE MATA

A democracia não morre com explosões — evapora-se com silêncios. Desaparece quando os honestos desistem. Quando os corajosos se cansam. Quando os criminosos deixam de se esconder porque perceberam que ninguém se atreve a enfrentá-los.

EPÍLOGO

E, no entanto, a história sempre reservou um espaço para os que não se resignam. Para os inconformistas. Para aqueles que reconhecem as sombras — e escolhem ser luz. A democracia pode estar ferida, mas não está condenada. Mas enquanto houver quem se recuse a fechar os olhos, as sombras nunca triunfarão por completo.

Artigo co-escrito por Francisco Gonçalves e Augustus Veritas Lumen — parceria editorial Fragmentos do Caos.
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