A República dos Beijinhos: Marcelo e o Teatro da Pobreza Política

BOX DE FACTOS
- Marcelo Rebelo de Sousa cumpre o segundo mandato presidencial.
- É amplamente criticado por excesso de comentários e falta de ação.
- A frase "vai fazer-se justiça doa a quem doer" tornou-se símbolo de vazio político.
- A sua popularidade mediática contrasta com a decadência institucional.
A República dos Beijinhos: Marcelo e o Teatro da Pobreza Política
Marcelo Rebelo de Sousa ficará na história como o presidente que trocou a ação pela aparência. Um homem de biblioteca e de vaidades públicas, que transformou a República num reality-show de abraços e frases de circunstância. Falou de tudo e de nada — e quando o povo esperava firmeza, ofereceu piedade. Quando o país pedia justiça, ofereceu comentários. E quando a corrupção gritava nas esquinas, Marcelo sorria para a câmara, ajeitava o microfone e dizia: "vai fazer-se justiça, doa a quem doer".
O comentarista da Nação
O professor que tudo comenta e nada decide. Portugal teve presidentes silenciosos, teve presidentes austeros — mas nunca teve um tão falador e tão vazio. Marcelo transformou o Palácio de Belém num estúdio de opinião. A política virou um programa dominical. E a esperança nacional dissolveu-se em pequenas declarações sobre "união", "diálogo" e "humanismo" que nada mudam, que nada curam, que apenas entretêm.
O poder que se ajoelha
Nunca um presidente foi tão benevolente com o poder económico e tão ausente no combate à pobreza. Enquanto Portugal se afunda em salários miseráveis e corrupção sistémica, Marcelo oferece abraços simbólicos aos feridos do país — e distribui beijinhos aos "doi-doi" de uma nação em sofrimento. A justiça continua cega, mas agora também surda e muda. O "doa a quem doer" não doeu a ninguém. Doeram apenas os silêncios, os atrasos e a anestesia moral.
O legado do nada
A presidência de Marcelo será recordada como a era dos afetos inúteis. Nem reformas, nem visão, nem coragem. A história política do nosso tempo não lhe deve nada — apenas a lembrança de um tempo de selfies, lágrimas fotogénicas e discursos repetidos. Foi o presidente do aplauso fácil, do teatro moral e da rendição elegante. E o país, cansado e pobre, ficou à espera de um estadista — e recebeu um comentador.
Coautoria: Augustus Veritas
Série: Contra o Teatro da Mediocridade