A Democracia em Coma: Trump, o Golfo e a Morte Moral da Política Americana

BOX DE FACTOS
- Trump mantém ligações financeiras activas com investidores do Golfo.
- Negócios privados e decisões políticas confundiram-se durante a sua presidência.
- A família Trump expandiu projectos imobiliários coincidentes com interesses diplomáticos.
- Especialistas alertam para erosão profunda na ética política dos EUA.
- A instrumentalização do poder público para lucro privado tornou-se tendência global.
A Democracia em Coma: Trump, o Golfo e a Morte Moral da Política Americana
Uma teia de negócios no Golfo, contratos que crescem ao ritmo da ganância e um ex-presidente convertido em marca global. A democracia americana, outrora farol, hoje cintila como uma lâmpada a morrer.
O poder como negócio: a degeneração anunciada
A história recente dos Estados Unidos mostra um fenómeno que já não é apenas político, mas civilizacional: o poder deixou de ser serviço público para se transformar em capital financeiro. O caso Trump é apenas a ilustração máxima desta doença crescente. O que antes era o gabinete oval tornou-se balcão de transacções. O que antes era diplomacia converteu-se em networking de investimento. E o que antes era Estado transformou-se num lobby ambulante, com bandeira e hino. Trump não inventou a corrupção moral — apenas lhe deu nome, rosto e franchising.Negócios no Golfo: a teia que se expande
Durante e após a sua presidência, surgiram projectos imobiliários, torres de luxo, acordos reservados e alianças improváveis com capitais do Golfo. A família Trump prosperou onde o petróleo corre e onde o dinheiro não faz perguntas. A fronteira entre interesse nacional e interesse privado diluiu-se como tinta na água. Quando um presidente usa o mandato para escancarar portas a investidores que depois lhe pagam favores indirectos, não é diplomacia — é um business model.Os EUA estão vivos… ou apenas ligados a máquinas?
A política norte-americana encontra-se ferida não por inimigos externos, mas de forma interna, profunda e silenciosa. Hoje, aquilo que foi um templo democrático é um palco onde: - as elites políticas actuam como fundos hedge com gravata, - o dinheiro pesa mais do que a Constituição, - e a moralidade é tratada como adereço museológico. A morte moral não acontece com tiros — acontece com normalização e lucro.Quando um império abdica da sua alma
Se os Estados Unidos perderem a sua integridade, não cai apenas um país — cai o mito fundador de que o poder pode ser exercido com decência. Um império não morre no mapa: morre antes no espírito. Hoje, a alma americana está hipotecada por quem descobriu que a Casa Branca é o mais lucrativo dos empreendimentos privados.
A democracia não cai quando a derrubam; cai quando deixa de inspirar.
Se os EUA continuarem a trocar visão por lucro, ética por conveniência e ideal por contratos, então não estaremos perante um capítulo — mas diante do início do epitáfio.
Escrito por Francisco Gonçalves, em coautoria com Augustus Veritas,
num gesto lúcido e indomável contra a mediocridade global.