Trump e o Nobel da Paz: a farsa que nunca acaba

Box de Factos:
– Donald Trump chegou a ser formalmente nomeado para o Nobel da Paz (2020 e 2021).
– Os Acordos de Abraão foram usados como justificação, apesar de serem acordos de conveniência e armamento.
– O ex-presidente sempre manteve simpatia pública por Putin, mesmo após a invasão da Ucrânia.
– A probabilidade de ser realmente premiado é praticamente nula, mas o absurdo nunca deve ser descartado.
O delírio Nobel
Imaginem a cena: Trump, de fraque mal ajustado, peito inchado, a receber o Nobel da Paz em Oslo. No ombro, não uma pomba branca, mas uma pomba pimba — daquelas que não voam mas dançam ao som de Quim Barreiros. A plateia, incrédula, aplaude enquanto o mundo se pergunta se não entrou numa simulação de mau gosto.
Paz à moda de Trump
A verdade é simples: Trump não fez nada para travar guerras. Nem na Ucrânia, nem na Síria, nem em lado nenhum. Antes pelo contrário:
- Abriu alas a Putin, o carniceiro do Kremlin.
- Fragilizou a NATO, minando a aliança que protege a Europa.
- Fez da agressividade um estilo diplomático, como se insultos fossem tratados de paz.
Tudo isto embrulhado num slogan de feira: "Make Peace Great Again".
Quando o absurdo bate à porta
Se um dia o Nobel fosse entregue a Trump, a história ficaria mais surreal do que já é. Seria o mesmo que oferecer um Michelin a um restaurante de fast food pela sua contribuição à alta gastronomia.
E, no entanto, não seria a primeira vez que o Comité Nobel metia os pés pelas mãos: Obama recebeu-o sem nunca ter fechado uma guerra; Arafat recebeu-o sem nunca ter largado as armas. Por isso, Trump — no universo do insólito — não estaria sozinho.
O pesadelo da Europa
Mas a diferença é gritante: enquanto os outros pelo menos ensaiaram passos em direção à paz, Trump abraçou a tirania com entusiasmo. A sua "amizade" com Putin não travou invasões — pelo contrário, deu força moral a quem não precisava dela.
Conclusão: uma pomba pimba e um Nobel de plástico
Trump no Nobel da Paz seria apenas mais um espetáculo de circo num mundo que já vive de espetáculos grotescos. A paz, essa, continuaria refém dos mesmos senhores da guerra.
No fim, restaria apenas a imagem icónica: Trump sorridente, Nobel numa mão, e no ombro a pomba pimba a cantarolar: "Deixei tudo por causa dela…".
Artigo de Francisco Gonçalves in Fragmentos do Caos
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