🎭 Teatro em Três Atos: “As Vagas Fantasmas da Medicina”

A novela da oito em ponto
Ato I – O Pedido Mágico
Era uma vez um governo que achou que a Medicina era como a pastelaria da esquina: se não há bolos suficientes, abre-se mais uma fornada.
— Ó senhor reitor, faça lá um jeitinho… — cochicharam vozes vindas dos corredores do poder.
Só que não era jeitinho, era ginástica olímpica à lei. E o reitor, longe de ser trapezista, respondeu:
— Querido ministro, eu cumpro a lei. Se quiser outra coisa, mande-me um despacho, carimbe-o, e depois vamos todos juntos ao Ministério Público!
Ato II – O Ministro e a Amnésia Seletiva
O ministro, apanhado em palco, assegurou ao público:
— Pressão? Eu? Nunca! Eu apenas sugeri… delicadamente… que se abrisse uma exceção. Mas só se fosse legal, claro!
Foi como aquele tio que, depois de estacionar em cima do passeio, jura solenemente:
— Eu ia só ali comprar pão, nem reparei na passadeira!
Ato III – O Parlamento em Festa
A notícia correu mais rápido que uma cunha num concurso público. Logo, partidos de todas as cores entraram em cena:
- Uns pediram audições urgentes.
- Outros exigiram investigação criminal.
- E houve até quem sugerisse transformar a Assembleia da República numa tertúlia de apuramento de médias.
Enquanto isso, nas redes sociais, portugueses exclamavam:
"Num país sério, este idiota amanhã não era ministro!"
Infelizmente, esquecem-se que Portugal é especialista em longas temporadas. Aqui, ministros resistem mais que novelas brasileiras.
Moral da História
Portugal continua a ser um palco onde a peça é sempre a mesma:
- Título: "Jeitinho à Portuguesa"
- Enredo: Um governante pede o impossível.
- Vilão: A legalidade.
- Herói improvável: O reitor que diz "não".
E nós, público, a rir e a chorar ao mesmo tempo, pagamos bilhete todos os meses na forma de impostos.
⚔️ Soneto satírico de Camões redivivo
Oh triste pátria, de doutores em fila,
Que com nove de média querem vinte,
E o ministro, qual mágico de cantil,
Sonha diplomas que a lei não consente.O reitor firme, resiste à ladainha,
"Eu cumpro a lei, não cedo ao expediente",
Enquanto em Lisboa a corte se aninha,
Tecendo cunhas num palco indecente.Se outrora bravos heróis deram seu nome,
À pátria altiva de glória imortal,
Hoje as cunhas reinam — eis o costume.Portugal segue, num fado banal,
Doutores de papel, sem arte nem lume,
Um teatro triste, de enredo fatal.
📌 Esta é a versão poético-satírica, estilo Camões a olhar para o Parlamento como quem vê uma tragédia mal ensaiada.
Artigo Teatral e Satírico de Augustus Veritas in Fragmentos do Caos.
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