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O inverno de 2026 chegou carregado de vento e mar salgado. Lisboa parecia um quadro antigo, pintado à pressa, com ruas molhadas e rostos cansados. O Presidente recém-eleito, Almirante Xavier Faria — conhecido entre os marinheiros como "X" — atravessava o Terreiro do Paço de casaco aberto e olhar fixo no horizonte. Havia prometido aos portugueses algo que nenhum dos seus antecessores ousara sequer sussurrar: romper com o cartel partidário que governava o país há meio século.

No dia da tomada de posse, depois de prestar juramento, deixou todos sem ar:

"Dissolvo, com efeito imediato, a Assembleia da República. Não convocarei eleições nas próximas semanas. Anunciarei amanhã um governo de iniciativa presidencial, composto por cidadãos livres, sem filiação partidária, para restaurar a dignidade nacional."

O silêncio durou dois segundos. Depois, o caos explodiu:

  • Deputados gritavam inconstitucionalidade.
  • Analistas de TV anunciavam o "golpe branco".
  • Bancos e construtoras ligavam aos seus advogados.

Mas nas ruas, algo inédito: multidões começaram a reunir-se em praças, não para protestar… mas para aplaudir.


O Governo da Claridade

Três dias depois, a equipa estava apresentada:

  • Ministra da Justiça: uma juíza conhecida por condenar banqueiros intocáveis.
  • Ministro da Economia: um engenheiro industrial regressado da Alemanha, sem paciência para salamaleques políticos.
  • Ministra da Saúde: médica do SNS que recusara lugares em conselhos de administração privados.
  • Ministro da Defesa: um sargento-mor com doutoramento em geopolítica e alergia a fardas engomadas de gabinete.

Cada pasta tinha a sua missão clara, publicada online, com prazos e indicadores mensais. Todas as reuniões eram transmitidas em direto.


Primeiros 100 dias

  • Lançamento da Plataforma Nacional de Transparência, onde qualquer cidadão podia consultar contratos públicos, salários de dirigentes, obras em curso e indicadores de execução.
  • Redução imediata de mordomias: fim de carros de luxo do Estado, cortes de 30% em salários de altos cargos, congelamento de nomeações políticas.
  • Auditoria a todas as parcerias público-privadas e contratos acima de 1 milhão de euros.
  • Criação de um Gabinete Anti-Corrupção independente, com mandato para investigar qualquer figura pública sem pedir autorização ao governo ou ao parlamento.

A reação do sistema

A máquina do regime respondeu como uma alcateia ferida:

  • Manchetes acusavam ministros de "radicalismo e amadorismo".
  • Empresários boicotavam reuniões com o governo.
  • Ex-governantes organizavam jantares discretos com embaixadores estrangeiros, pintando Portugal como "instável e perigoso para investidores".

A União Europeia começou a pressionar: exigia "respeito pelas normas democráticas", enquanto evitava referir que as mesmas normas tinham sido corrompidas por décadas de compadrio.


O Ponto de Viragem

No sexto mês, as primeiras vitórias tornaram-se visíveis:

  • O défice orçamental caía graças à recuperação de fundos desviados.
  • Hospitais reportavam menos dívidas a fornecedores.
  • Pequenas e médias empresas começaram a receber pagamentos do Estado em 30 dias, em vez de 300.

A popularidade do Presidente disparou para 72%. O país sentia-se, pela primeira vez em gerações, governado por adultos honestos.


O Ano Um

Ao completar o primeiro ano, Portugal já era outro:

  • Corrupção: índices caíam para mínimos históricos.
  • Economia: investimento em tecnologia e indústria verde começava a gerar empregos qualificados.
  • Educação: currículos revistos para preparar alunos para o século XXI, não para exames inúteis.

O Almirante X anunciou finalmente as eleições legislativas, mas fez um aviso:

"A democracia não é um ringue de mafiosos. Quem quiser governar este país terá de o fazer com contas abertas e rosto limpo. A era da mentira acabou."

Os partidos tradicionais, humilhados, regressaram ao combate… mas o povo tinha mudado. E um novo movimento cívico, nascido nas ruas durante aquele ano, conquistou a maioria no parlamento.

Portugal entrava, enfim, numa República Livre.
E o mundo olhava, incrédulo, para o pequeno país do Atlântico que ousara enfrentar os donos do poder… e vencer.


Portugal resplandecia anos após ano e o povo português respirava finalmente em liberdade e em melhoria das suas condições de vida.... e ..


"República Livre – Dez Anos Depois"

Lisboa, 2036.
A cidade não cheirava mais a papelada velha de ministério, mas a café torrado e inovação. Onde antes havia prédios ministeriais cinzentos e corroídos, agora existiam centros cívicos com paredes de vidro, onde qualquer cidadão podia assistir — ao vivo — à elaboração de leis.

O Almirante Xavier Faria, agora com 78 anos, vivia retirado em Setúbal, pescando e escrevendo memórias. Não voltara à política após o seu segundo mandato, mas a sua sombra pairava como um farol sobre o país. Era chamado por muitos "O Fundador da Segunda República Portuguesa".


A Nova Arquitetura do Poder

O sistema político já não era dominado por partidos mastodônticos.

  • As listas eleitorais eram abertas: qualquer cidadão, com 5000 assinaturas, podia candidatar-se diretamente a deputado.
  • Metade dos lugares do parlamento era ocupada por assembleias cívicas rotativas, compostas por cidadãos escolhidos por sorteio, com mandatos de apenas um ano.
  • Todos os ministros eram obrigados a prestar contas mensalmente em audiências públicas transmitidas em direto, respondendo a perguntas de cidadãos e jornalistas.

O Orçamento do Estado era votado em plataforma digital por todos os eleitores, com medidas sujeitas a referendo vinculativo se recolhessem 200 mil assinaturas.


Economia: o salto inesperado

Portugal tinha-se tornado num polo europeu de energia renovável, biotecnologia e agricultura vertical.

  • 40% da eletricidade era exportada para Espanha, França e Marrocos.
  • Antigas zonas rurais estavam povoadas de estufas inteligentes, monitorizadas por IA.
  • A antiga dependência do turismo de sol e praia tinha sido substituída por turismo científico e cultural de alto valor.

O rendimento médio duplicara desde 2026. O salário mínimo aproximava-se do salário médio de 2025. E a fuga de cérebros invertera-se: milhares de portugueses regressaram, trazendo empresas e know-how.


A Justiça que deixou de ser piada

A criação do Tribunal Nacional de Integridade Pública permitira:

  • Julgar casos de corrupção em menos de 6 meses.
  • Impedir que condenados por corrupção ou crimes fiscais voltassem a ocupar cargos públicos.
  • Recuperar 12 mil milhões de euros desviados ao longo de décadas.

Julgamentos mediáticos que antes se arrastavam por décadas eram agora memórias de um país quase irreal.


Cultura Cívica

As escolas já não eram fábricas de exames.

  • Aulas de ética, literacia financeira e pensamento crítico eram obrigatórias desde o ensino básico.
  • Jovens participavam em assembleias juvenis municipais, aprendendo a gerir orçamentos reais.
  • Os telejornais abriram espaço diário para "Verificação de Factos" e debates entre cidadãos comuns e especialistas.

As Resistências que Ficaram

Nem tudo era perfeito.

  • Havia ainda bolsões de velhas elites tentando recuperar influência.
  • Empresas multinacionais pressionavam por mais desregulação ambiental.
  • A União Europeia continuava desconfiada de um modelo tão participativo, temendo "excesso de soberania popular" que pudesse contagiar outros países.

Mas a diferença é que agora o povo estava acordado.
O regime não podia voltar a ser governado às escondidas porque milhões de olhos estavam treinados para vigiar.


Epílogo

No dia do 10.º aniversário da "República Livre", o Almirante X foi homenageado no Terreiro do Paço.
Não houve paradas militares, nem discursos longos. Apenas ele, de boina na mão, olhando para a praça cheia de gente.

Um jovem de 17 anos aproximou-se e perguntou: — Senhor Presidente, valeu a pena?
O velho sorriu:
— Meu rapaz… olha à tua volta. Este país é vosso. Só não o percam.

E assim, Portugal seguiu, não perfeito, mas dono do seu destino — coisa rara na história lusitana.


História ficcionada por Augustus Veritas Lumen in Fragmentos de Caos

E porque esta ficção poderia virar verdade, assim o povo português o almejasse, apresentamos aqui uma projecção de como Portugal mudaria e os portugueses passariam a ter mais que esperança, liberdade e condições sociais económicas idênticas a uma Finlândia. E isto já não é ficção, caros leitores. E o povo da Islândia ja fez tudo isto, e sem precisar de intermediários de poder. Foi mesmo o povo que demitiu o sistem em 2008.

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