O Primeiro Comando da Capital (PCC), nascido nas prisões de São Paulo, é hoje uma multinacional do crime. Tem hierarquia, disciplina e logística comparável a qualquer grande empresa global. Só que, em vez de vender tecnologia, vende cocaína. E em vez de abrir delegações, abre empresas de fachada para branquear milhões.

Chegaram a Portugal discretamente antes da pandemia. Em 2021, já alargavam a rede e faziam alianças com grupos locais. Um processo paciente, cirúrgico, quase invisível. Primeiro os bairros mais vulneráveis, depois as empresas legais, até à construção de uma teia que mistura negócios limpos com dinheiro sujo. O PCC não chega como bandidos de favela; chega como executivos do crime, com consultores financeiros e juristas às suas ordens.

Portugal, esse país de brandos costumes, oferece-lhes as condições ideais:

Justiça lenta e burocrática, onde processos se arrastam durante anos até prescreverem.

Fiscalização débil, onde abrir e fechar empresas é tão fácil como pedir um café.

Política complacente, mais preocupada com discursos inflamados do que com realidades criminais.

E enquanto a Polícia Judiciária e alguns inspetores tributários lutam com unhas e dentes contra esta rede, o Estado revela-se impotente. Pior: quem investiga é ameaçado. Inspetores e até as suas famílias vivem sob chantagem psicológica. Um sinal claro de que o crime não só entrou em Portugal, como já se sente confortável.

O mais grave é a ironia: enquanto os políticos se entretêm com guerrilhas partidárias e os tribunais discutem formalismos, o crime organizado atua como uma empresa moderna: ágil, global e eficaz. Quem lava milhões num dia não espera pela decisão de um tribunal três anos depois.

Portugal corre o risco de se tornar aquilo que já é em parte: um hub europeu do crime transnacional. O PCC e outras redes percebem melhor do que ninguém que este país é uma porta aberta para a Europa, com uma justiça de pernas bambas e uma política dominada pela mediocridade.

Em resumo: enquanto o Estado continua a tratar o crime organizado como um "problema pontual", a multinacional do crime já nos trata como mercado conquistado.

A pergunta é dura, mas inevitável:
Quem manda em Portugal? O Estado ou o crime global?


Um artigo de,Augustus Veritas Lumen

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