Ontem, com pompa e circunstância, o ministro da Economia anunciou a nova aventura nacional: Portugal vai construir o seu primeiro avião civil e militar, de 19 lugares e 2.000 km de autonomia, e lançar sete satélites portugueses a partir de uma rampa nos Açores. Tudo embrulhado em números gordos: 3 mil milhões de euros do PRR.

À primeira vista soa a epopeia futurista: um país pequeno a conquistar o céu e o espaço. Mas quem conhece a história lusitana de megalomanias financiadas a crédito sente logo um arrepio na espinha.

Porque este anúncio levanta perguntas que ninguém ousou fazer em direto:

  • Onde está a indústria aeronáutica sólida em Portugal que sirva de base a tal proeza?
  • Quem são os verdadeiros beneficiários destes 3 mil milhões — será a engenharia nacional ou os habituais consórcios de "parceiros estratégicos" e consultoras de luxo?
  • Que retorno concreto terá o país, quando ainda não consegue pôr comboios a circular sem avarias nem hospitais a funcionar sem listas de espera?

O discurso político fala de futuro, inovação, soberania tecnológica. Mas o eco da realidade portuguesa fala mais alto: somos mestres em construir castelos no ar e depois arrendar o terreno para pagar a dívida.

Não seria a primeira vez:
– Submarinos de conveniência.
– Barragens faraónicas que nunca deram a energia prometida.
– TGVs anunciados, cancelados e pagos na mesma.
– Aeroportos que só existem em powerpoints.

Agora, entra-se na era dos aviões de papel dourado e satélites de algodão doce, pagos pelo bolso dos contribuintes.

O pior não é sonhar alto — o pior é sonhar com dinheiro emprestado, sem plano de voo nem mapa estelar. É transformar o PRR, que devia regenerar o país, num novo banquete para espertos e bem-posicionados.

E assim, Portugal da mesmice prepara-se para voar.
Mas a dúvida que fica é esta:
será que descolamos para o futuro ou despenhamos no mesmo pântano de sempre?

Eu pela minha parte sinto medo, muito medo, perante tantos políticos melómanos, que em 50 anos, têm sido um toque, não de Midas, mas de miséria por todos os cantos do país.


👉 Artigo de Francisco Gonçalves in Fragmentos de Caos.

Malta, preparados para outros 50 anos disto ?? Será que aguentam!!?? Ai que aguentam!!

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