Desde 2017, pelo menos 191 políticos e detentores de cargos públicos em Portugal foram constituídos arguidos ou acusados pela Justiça.
O número já seria escandaloso por si, mas torna-se ainda mais obsceno quando se percebe que entre eles há:

  • 1 primeiro-ministro,
  • 11 ministros,
  • 13 secretários de Estado,
  • 33 deputados,
  • 133 autarcas.

Os crimes? Corrupção, peculato, branqueamento de capitais, recebimento indevido de vantagem… o catálogo habitual da promiscuidade entre poder e interesse privado.
E onde estão concentrados? Sobretudo nos dois partidos que têm governado o país nas últimas décadas — PS e PSD —, alternando no poder, mas nunca nas práticas.

A teia invisível

Como explica Regina Queiroz, investigadora de Justiça Social e Política, a estrutura partidária portuguesa funciona como um clube fechado, onde os cargos não se ganham por mérito, mas por lealdade pessoal.
Este nepotismo moderno cria uma rede de favores, proteção mútua e opacidade que torna a fiscalização interna uma ficção.
O resultado é um sistema de impunidade seletiva, onde quem está dentro é protegido, e quem está fora, raramente chega perto do poder.

Casos que ilustram o padrão

  • O presidente da Câmara de Gaia e a mulher julgados por usarem um veículo elétrico do município como se fosse particular.
  • Autarcas da Foz do Arelho acusados de gastar dinheiro público para fins pessoais.
  • O ex-ministro Manuel Pinho, acusado de branqueamento e corrupção passiva.
  • O ex-secretário de Estado Miguel Alves, a ser julgado por prevaricação em contratação pública.
  • O deputado Joaquim Pinto Moreira (PSD), arguido na operação Vórtex por corrupção urbanística em Espinho.

E a lista segue, longa e enjoativa, até perfazer quase duas centenas de nomes.

A ponta do iceberg

Estes 191 casos são apenas os conhecidos — os que chegaram a ser noticiados.
Quantos mais estarão protegidos pela cortina de silêncio e pela lentidão processual?
Quantos acabam arquivados por prescrição, por falta de prova, ou simplesmente porque nunca houve vontade real de ir até ao fim?

O que isto significa para o país

Cada vez que um político acusado de corrupção se mantém no cargo, ou regressa como se nada fosse, a mensagem é clara:
em Portugal, a política não é serviço público — é um feudo privado.
A consequência é dupla: destrói-se a confiança dos cidadãos e bloqueia-se a renovação política, porque quem não entra na "teia" dificilmente sobe.


💬 Conclusão mordaz:
Portugal é um país de injustiças mil, mas há uma que corrói todas as outras: a justiça que não chega a tempo nem a todos.
Enquanto os partidos continuarem a ser clubes privados de favores e lealdades pessoais, a corrupção será apenas uma função orgânica do sistema — não um acidente.
E nós, os de fora, seremos sempre convidados a pagar a conta.


Artigo de Francisco Gonçalves in Fragmentos de Caos.

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