Portugal é um país tão especial que reinventou as leis do mercado:
por cá, o lucro é sempre certo… e o risco, claro, fica para o contribuinte.
Não interessa se é eletricidade, telecomunicações, banca ou estradas — o manual é o mesmo:
quando a conta vem, o povo paga; quando o dividendo chega, o acionista estrangeiro brinda.

O caso mais recente desta ópera bufa chama-se "investimento em sistemas de baterias para a rede elétrica pública".
A EDP e a REN — empresas que já arrecadam lucros milionários ano após ano — descobriram que precisam de grandes baterias para equilibrar o sistema e evitar apagões.
E qual foi a ideia genial? Que sejam os portugueses a pagar, claro.

É como se eu montasse um negócio de distribuição de pastéis de nata:

  • Eu ficava com os lucros das vendas.
  • Vocês, meus caros clientes, pagavam as contas da eletricidade, os fornos, a farinha, a manteiga e até a mobília da pastelaria.
    Resultado: eu vivia como um marajá e vocês ainda agradeciam por eu vos "prestar o serviço".

A cereja no bolo — ou o açúcar queimado no pastel — é que este modelo não é um erro nem um acidente.
É uma arquitetura pensada ao milímetro:

  1. As empresas recebem concessões ou direitos de exploração exclusivos.
  2. Os preços são regulados… mas a regulação é feita por ex-colegas e amigos do setor.
  3. Qualquer investimento "necessário" é automaticamente repercutido na fatura dos clientes.
  4. Lucros recorde são distribuídos com orgulho aos acionistas internacionais.

E o que sobra? Sobra um país onde pagar a conta da luz é quase como pagar renda de casa,
e onde a "transição energética" serve, muitas vezes, como pretexto para uma transição do dinheiro da sua carteira para os bolsos deles.

No fundo, estamos presos num casamento forçado:
Portugal fornece os noivos (os consumidores), as alianças (as infraestruturas pagas),
o banquete (a rede elétrica), e a EDP/REN ficam com a lua de mel nas Maldivas.

E a pergunta que fica é simples: quem é que ainda não percebeu que este casamento só dá filhos feios?
Filhos que comem, choram e ainda pedem mesada — paga, claro, pelos mesmos de sempre: nós.


Artigo de Francisco Gonçalves in Fragmentos de Caos

"Em Portugal, o negócio da energia é um banquete permanente:
as empresas comem o filé mignon dos lucros, e os consumidores roem o osso das faturas.
A EDP e a REN querem baterias? Pois que as comprem com o dinheiro que sobra depois dos dividendos milionários.
Mas não — aqui a conta vai sempre para o mesmo bolso: o nosso.
Somos a central elétrica mais rentável do mundo… a central do contribuinte."

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